sexta-feira, 24 de junho de 2016





Recordar o Nuno Castel-Branco

Fui convidado para assistir à inauguração da exposição "FORA DO PADRÃO - Lembranças da Exposição de 1940".
Exposição excepcional! Estão de parabéns todos os que nos proporcionaram ver esta recolha verdadeiramente histórica e antropológica da época de 1940.
Coloquei a notícia no Facebook e passado pouco tempo tinha já uma nota do João Onofre Castel-Branco: - "Uma das grandes memórias do meu querido e estimado Pai. Um beijo do rata."
A minha respostas imediata: - "João! Foi bom que me lembrasses o que teu saudoso Pai escreveu sobre a exposição no lindo livro de memórias "O Livro de Capa Verde que me deu o Avô". O teu tio Lino tinha-me há dias trazido o livro, que eu não conhecia...Saudações muito afectuosas e cheias de saudades para todos vós."




 






terça-feira, 7 de junho de 2016





RECORDAÇÕES AFECTUOSAS

 

 
 
 
 
Foi longa a minha vivência na instituição, cerca de quatro décadas!
A admissão, proposta pelo Dr. Ernesto Roma como Adjunto da sua Direcção Clínica, foi aceite pela Direcção da Associação, que nessa data  se intitulava Associação Protectora dos Diabéticos Pobres - APDP  e era presidida pelo Dr. Joaquim Diniz da Fonseca. Principiei a actividade em 25 de Janeiro de 1957 e passados cerca de sete anos, são-me atribuídas mais responsabilidades, por ser nomeado  Subdirector Clínico, (13 de Novembro de 1963) e posteriormente Director Clínico, cargo que desempenhei de 1 de Outubro de 1974 a 27 de Março de 1996, os últimos 20 anos em regime de exclusividade, por ter terminado a carreira hospitalar nos Hospitais Civis de Lisboa como Interno Graduado de Medicina.

O ter sido médico na Associação, o privilégio de fazer uma aprendizagem que tinha como exemplo o Mestre Ernesto Roma, a admiração pelo seu pensamento activo e a ligação afectuosa que se criou entre nós, marcaram a minha vida pessoal e profissional!
Na minha idade, já nonagenário, estamos muito ligados à vida pelas recordações!

 Na vivência diária na Associação criei relações muito afectuosas com o Mestre Doutor Ernesto Roma. Fui mais que seu discípulo dilecto,  nos últimos anos acompanhei-o filialmente!

No aniversário dos 90 anos do Doutor Ernesto Roma
Acompanhado pela Família e o casal Sá Marques



Na "luta pela sua associação" o Dr. Ernesto Roma esteve sempre acompanhado de amigos dilectos e benfeitores. Desejo destacar a figura inesquecível de José Pires Cardoso de Oliveira. Filho de um dos fundadores da Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, nunca deixou de se interessar pela instituição, como membro dos seus corpos gerentes. Depois do falecimento do Dr. Diniz da Fonseca, foi o Presidente das sucessivas Direcções com quem trabalhei. Era uma alma de eleição! O que a APDP lhe ficou a dever!...

José Cardoso Pires de Oliveira



Foram milhares os diabéticos que conheci! Quando tenho a sorte de me encontrar com diabéticos ou seus familiares é sempre grande a nossa satisfação! Com alguns conservo uma ligação de apertada amizade.

Reconheço que a minha actuação na Associação fazia parte do trabalho  duma  equipa de diversos profissionais. Tínhamos uma "atitude personalista e antropológica"  para quem entrava na instituição. Continuo a beneficiar do afecto e amizade que alguns antigos colaboradores me dispensam. Quando dos meus "achaques" nunca deixei de  ter a presença amiga do Francisco Carreiras.

Na frequente e íntima convivência com o Lino, querido e fraterno Amigo, recordamos frequentemente os anos em que trabalhámos juntos na Associação, com sacrifício da nossa vida familiar e pessoal. Nas nossas lembranças estão sempre presentes o Nuno e o João Governo. Tenho na minha sala de leitura a fotografia tirada pelo Ruy Cinatti ao feliz grupo - Nuno Castel-Branco, Manuel Sá Marques, João Nabais Governo e Lino Fernandes da Silva.

Da esq.  para a dir. - Nuno Castel-Branco, Manuel Sá Marques,
João Governo e Lino da Silva

 

domingo, 1 de maio de 2016




Meu Pai ( segundo estudante de pé a contar da esquerda)
e o irmão José Augusto ( terceiro estudante sentado a contar
 da esquerda). Ambos do Curso 1900/1905  - meu Pai estudante
dos cursos de Matemática e Filosofia Natural, meu tio José
Augusto estudante de Direito

Recordar meu Pai  -  Alberto de Sá Marques de Figueiredo



Para o Dr. Adamo Caetano, com um apertado abraço de gratidão














Em anterior blogue - clicar aqui - recordei meu Pai  - Alberto de Sá Marques de Figueiredo. Também no meu blogue "Bernardino Machado" se encontram muitas referencias a meu Pai. Um destes blogues despertou o interesse do Dr. Adamo Caetano, um apaixonado pela história da Tuna Académica de Coimbra - clicar aqui

Tuna Académica de Coimbra
1903
Meu Pai está na primeira fila- o terceiro estudante, contando da
esquerda para direita - com o seu bandolim





Ontem recebi a certidão de nascimento de meu Pai, que o Dr. Adamo gentilmente me enviou:


Certidão de nascimento de meu Pai



Seus padrinhos foram os tios, o Reitor Padre José de Sá Marques de Figueiredo e a Professora Maria de Sá Marques de Figueiredo



Maria de Sá Marques de Figueiredo

 
 
Fotografia tirada na residência da Família Sá Marques
 Barrelas - atualmente Vila Nova de Paiva
Maria de Sá Marques, tendo a sua direita a Tia Bárbara e à sua esquerda a
sobrinha Amélia, irmã de meu Pai

.


Texto de meu Pai escrito na década de 50,
em homenagem a seus Padrinhos



 
 
1905

Pasta do final do curso, bordada
pela Madinha
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 27 de abril de 2016






Para a Dra. Maria João Sequeira













Em anterior blogue -  clicar aqui  -  recordei as sessões comemorativas do Dia Mundial da Diabetes, promovidas pela ARS de Viana do Castelo, em 14 de Novembro de 1992, com a colaboração da APDP.
Ontem em agradável conversa com a Dra. Maria João Sequeira salientei o facto do Doutor Roma ter um grande orgulho na condecoração com que foi agraciado pelo Instituto de Socorros a Náufragos  e voltei a ler as palavras da Dra. Alda Roma, quando da sua intervenção naquelas Comemorações:

 
 
 

 
 
 
 



sexta-feira, 15 de abril de 2016

terça-feira, 12 de abril de 2016




Viana do Castelo e Ernesto Roma  -  5


Com a devida vénia retirámos do blogueo blogue

Assim na Terra como no Céu

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pais incógnitos

Postal retirado daqui

Na década de quarenta do século passado, Viana do Castelo era uma cidade virada para o Atlântico. De lá saíam os mais importantes bacalhoeiros do país rumo ao Mar desejado da Terra Nova. Por incrível que pareça, a indústria da pesca, tal como os famosos estaleiros navais construídos em 1944, constituía um dos maiores pilares da economia de toda aquela região do Alto Minho. A cidade formigava com o pequeno comércio, com as feiras e praças de rua, os caixeiros-viajantes, os apitos ensurdecedores dos amoladores de facas e, nas alturas festivas, com os circos ambulantes. Pelas ruas empedradas cruzavam-se pequenas carroças de burros com discretas charretes e, de vez em quando, lá surgia um robusto automóvel seguido pelas correrias e gritarias alegres da criançada.
 
Neste cenário de esperança pós Grande Guerra, seguia pelas ruelas um casal de irmãos sempre de mãos dadas, muito apertadas, de andar curvado mas ágil aos saltinhos. Consta que ele chamava-se Nicolau e ela Adelaide, consta, ainda, que ficaram órfãos de mãe, pois o pai sempre foi incógnito. Eram abordados por muita gente enquanto passavam, uns brincavam com eles, outros troçavam, outros faziam-lhes perguntas para os ouvirem falar, outros, ainda, desviavam a cara curiosa.
 
Fisionomicamente eram diferentes, assemelhavam-se a antropóides, sim, pareciam símios; os braços mais longos do que as pernas, a pele toda coberta de pelos pretos, as testas recuadas e os narizes achatados não desmentiam: pareciam macacos. Sofriam de uma deficiência nunca cientificamente explicada para além de lendas e boatos, muitos mexericos e contos. O mais conhecido remonta a uma mulher da vida, de vida miserável, que depois de saber-se grávida terá exclamado não querer ter filhos e se acaso os tivesse, então que fossem macacos.
 
Lalau e Laidinha (foi por estes nomes que ficaram conhecidos) nunca se separavam e quanto mais espicaçados pela turba gingona, mais o irmão se insurgia violento. Eram para os locais uma parelha de aberração circense andante e antes que algum empresário do ramo lhes visse fonte de muitos reis, foram acolhidos pela Congregação da Nossa Senhora da Caridade. Em boa verdade, na época, tudo o que era diferente deveria ser escondido, era uma vergonha impedida de ver o sol do dia. Era uma prática comum em terras do Alto Minho.
 
Claro que hoje seria abertura de noticiários, fonte de dissecação cientifica ou, não me espantaria nada, a maior macacada na cabeça dos realizadores e no topo das audiências da casa dos segredos.
 
Lembro-me deste caso desde os meus tempos de infância em que a minha querida Odete, filha da criada da minha avó, que veio com os nubentes, meus pais, para Lisboa, me contava para eu comer quando estava mais enfastiado. Revivi, anos mais tarde, a história dos manos num artigo de fundo numa edição do jornal "A Aurora do Lima". E, ontem, em conversa com o director deste jornal, com cento e sessenta anos de existência, amigo da minha mãe, Bernardo Barbosa, pessoa mui estimada e amável, solicitei o citado artigo do arquivo que lera há mais de vinte e cinco anos. Infelizmente, aquela edição não está digitalizada mas, mal tenha disponibilidade, irei pessoalmente a Viana tentar encontrá-la. Por enquanto, ficou a promessa de uma fotografia e outros detalhes. Deficientes ou não, foram duas vidas humanas que nasceram, viveram, sentiram, sofreram e morreram.
 
De resto muito pouco se sabe (se fizerem uma busca por um qualquer motor de pesquisa, não encontrarão nada), é um segredo que Viana não se orgulha nem alimenta, um caso esquecido, como tantos outros, com pais incógnitos.
Conheci bem o Toninho Lalau e a sua irmã a Laidinha, nos idos anos 60. O Toninho aguardava os alunos do Liceu que se dirigiam pela linha férrea para essa escola. Pedia cigarros e alguns lhos davam, balbuciava umas palavras ininteligíveis e dava um beijo (babado) na mão do tabaqueiro benfeitor. Caminhava curvado e dava uns pulinhos como os símios, era inofensivo, mas zangava-se se lhe mostrassem uma moeda ou um cigarro e depois o negavam, ficava furioso e debitava um discurso ininteligível. estes irmãos foram o tema da tese de licenciatura do dr Ernesto Galeão Roma iniciador do tratamento da diabetes com insulinoterapia e que era vianense.
 
 
 
 
No cinquentenário da APDP, em 1976,  uma das homenagens  prestadas ao Doutor Ernesto Roma foi a edição da sua "Dissertação Final do Curso Médico", com uma introdução do Professor Doutor Victor Fontes.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depois da homenagem ao Doutor Roma em Viana do Castelo em 31 de Março de 2001, a Dra. Alda Roma enviou o livro para a Congregação de Nossa Senhora da Caridade, de Viana do Castelo, "onde são estudados dois utentes desta Instituição, que os vianenses mais antigos conheceram pelo seu aspecto simiesco e histórias que na altura se contavam".
 
 
 
 
 






 

segunda-feira, 11 de abril de 2016







Viana do Castelo e Ernesto Roma  -  4











Dia Mundial  da Diabetes  de 14 de Novembro de 1992